Os meus, os seus e os nossos amigos



Briga entre pessoas que se conhecem é sempre aquela situação bem delicada que você "ora" para que não aconteça e da qual você tenta fugir e se manter o mais neutro possível, geralmente sem sucesso. Você decide ir ao supermercado e esbarra com a parte "A" da história na fila dos frios que destila toda sua indignação contra a outra parte, a parte "B". Vocês se despedem e, de repente, enquanto está na fila do caixa, a parte "B" te liga para desfilar toda a sorte de "adjetivos" sobre a parte "A". Você fica naquela situação "meio de concordar com tudo" e acenar a cabeça porque, afinal de contas, pode que ser que você não queira tomar parte ou ter que decidir, principalmente quando percebe que ambas as partes estão erradas mas também tem seus pontos de razão. E geralmente as partes irão te pressionar, e muito.

 





Agora tragam essa cena para a internet e para as redes sociais....

Na redes sociais a situação é muito mais tensa ainda para quem está no meio da batalha como espectador porque, geralmente, você está assistindo a todo o desenrolar do roteiro e fica dividido entre tentar apaziguar os ânimos e mediar o conflito, fingir que não está vendo e pensando consigo mesmo que é melhor não se meter ou fechar todas as janelas dos aplicativos e aguardar. Quando somos os protagonistas e por estarmos expostos, assim como o conflito está, sentimos a necessidade de buscar testemunhas que avalizem nossa inocência e que deem veracidade e valor ao nosso comportamento e opiniões. Necessitamos desse respaldo para que podemos bradar com tranquilidade e consciência tranquila de que nós somos a parte certa da história.

Eu já vivi essa experiência de várias formas e vivendo todos os papéis e posso afirmar que é uma situação bem desconfortável. 

Tentamos criar réguas próprias para estabelecer a gravidade de danos causados e se devemos interferir ou não. Se for uma coisa grave a gente até pensa em romper com um dos lados. Por outro lado, usamos outras réguas e muitas vezes exigimos que outros amigos sejam solidários conosco e comprem a nossa briga quando entramos em conflito com outra pessoa. Mesmo expostas as provas, os fatos, ainda assim cada uma das partes irá contar sua versão de acordo com seu filtro. E quando você estiver na situação oposta, de protagonista, também  irá usar suas próprias medidas para exigir que fiquem do seu lado. 

Quem pode julgar? O valor que damos a tudo varia de acordo com nossa carga de vivência e ensinamento, de tudo aquilo que absorvemos, as coisas nas quais acreditamos e usamos para criar nossos critérios morais, pessoais e éticos. E é muito difícil exigir coerência quando sentimentos estão envolvidos e se você está vivenciando aquela situação diretamente junto com todo o "brackground" de outras coisas acontecendo na sua vida. Exemplo: posso presenciar um amigo sendo zombado por outro e dizer para a vítima para esquecer, que aquilo é apenas uma brincadeira sem grandes consequências, mas quando acontecer comigo posso me sentir indignada e exigir que o meu amigo rompa relacionamento com quem me ataca. Mas a parte zoada por estar passando por uma fase delicada onde a zoação talvez tenha relação direta com o problema pelo qual esteja passando e talvez quem ataca nem saiba disso. Complexo demais como todas as relações humanas.

Óbvio que as pessoas precisam ser mais empáticas e tentar se colocar no lugar da outra, mas há limites para a empatia e, principalmente, não podemos também ter a obrigação de saber o quanto determinada situação irá impactar psicológica e moralmente a outra pessoas. Lembre-se de que a forma como as pessoas absorvem algo e reagem tem relação com os valores que cada um guarda para si. Exceto em algumas situações graves, criminosas, óbvias e imperdoáveis, você deve respeitar mas não deve exigir que as pessoas reajam da forma como você reagiria.

Não importa a decisão de qualquer um dos envolvidos, seja se você for um dos protagonistas da situação ou um mero ouvinte, o importante é ter consciência de que o é dito entre todos sempre chegará ao ouvido do outro de alguma forma, portanto é preciso cautela no que dizer.

Ninguém é obrigar a a escolher um lado mesmo que um ou outro exija isso. Nesse momento é bom sentir-se confortável para informar que não irá tomar partido ou porque gosta dos dois ou porque não vê motivos para romper com um ou outro, ou até porque está em dúvida em decidir qual tem razão porque em algumas situações isso não é muito óbvio, exceto em práticas e fatos óbvios como crime, por exemplo. Também não vá dizer a um amigo que não irá tomar depois dele ter tido seu carro roubado pelo outro, por exemplo, vamos ter bom senso. 

Muitas vezes a situação pode se tornar insustentável quando você decide se manter neutro quando percebe claramente que, depois de de ver os dois lados com fatos e provas e depois de ouvi-los, você percebe que um está com a razão e que o outro está errado. Nessas situações acredito que o melhor a se fazer é ir se afastando aos poucos. Às vezes essa atitude errada de um lado pode ser um fantasma quando você decide manter a amizade apenas para não criar outro conflito e desapontar o envolvido. É o caso, por exemplo, de uma parte ter traído a outra parte e isso para você ser uma atitude inadmissível.

Se relações humanas fossem fáceis de serem solucionadas, existiriam receitas de bolo prontas e os conflitos não existiriam, portanto a regra é agir sempre com serenidade, na medida em que isso é possível, cautela, bom senso e calma.

 

 






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