Aborto: o filho que sempre existiu mas que eu nunca vi nascer



Eu sempre quis ser mãe. Sempre. Eu queria ver minha barriga crescendo, fazer trezentas fotos dela, escrever com caneta colorida e todo aquele ritual brega que as grávidas fazem. Eu queria conversar com meu bebê e colocar fones de ouvido na barriga para que ele pudesse escutar, certamente começaria com alguns clássicos eruditos mas sem deixar de lado o Sisters of Mercy, Kraftwerk e Elvis. Eu sempre quis adotar também, de preferência aquelas crianças mais preteridas: negras, do sexo masculino e de idade mais avançada. Mas independente disso eu sonhava com a enorme barriga de grávida. Ao ver uma na rua eu não conseguia desviar meus olhos dela e, imediatamente, construia uma imagem mental de como eu ficaria com aquele barrigão lindo que eu iria fazer questão de exibir. Dizem por aí que há três coisas que não sentem frio: polar, pinguim e periguete, mas arriscaria uma quarta, grávida que quer mostrar o barrigão, tipo eu. Mas, por algum motivo, Deus e o Universo talvez não quisessem que fosse assim.

 

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