Decretei minha liberdade, carta para quem não quer me ler



Na ausência da minha lucidez, questionei se você era minha doença ou a cura e agora, recuperada a consciência e a razão, penso que era apenas meu vício.

Me liberto plenamente de ti, da tua prisão, como um viciado se liberta da droga e abro todos as portas do meu coração, apenas deixando você partir para bem longe de mim. Vá. Vá e não volte mais, mantendo em mim o desejo do seu retorno e escancarando todas as portas e janelas ao mesmo tempo em que abro meu caderno de anotações e apago todas as mensagens que um dia escrevi






Não te leio, não te ouço, não te vejo, não mais te sinto, não te procuro mais. Se antes sua presença era sinal de alegria e plenitude, hoje me traz dor e decepção. Se antes esperava diariamente ansiosa pela sua chegada, hoje sua partida é alívio, alívio esse que eu preferia nunca ter sentido.

A ti confiei meu coração, minha alma, meus pensamentos e desejos. Você me diz que perdeu o controle, que voou para longe e eu, cega pelo o que eu sentia, fui sua co-pilota nesta viagem, mas você me esqueceu em algum canto e não veio mais me buscar.

Fui julgada e acusada injustamente no tribunal que você mesmo criou, por isso, o tempo todo tive que escolher minhas palavras e atitudes. Qualquer movimento em falso e você estaria pronto a me condenar. Tentei preservar o mais nobre e puro dos meus sentimentos, mas você mesmo fez questão de enterrar tudo o que sentíamos. Então cabia a mim apenas uma saída: apagar o fogo. E esse fogo foi apagado não com poucas, mas muitas lágrimas derrubadas. Chorei sem saber ao certo porque ou por quem estava sofrendo. Senti dor, alívio, decepção, mágoa, tristeza, perplexidade, um misto de sentimentos confusos e antagônicos... uma dor enorme.

Cheguei a lhe confessar que eu sempre estaria pronta a te perdoar mas hoje não sei precisar se ainda compartilho do mesmo sentimento. Sei que devemos sempre perdoar a aqueles que amamos, mas às vezes, a dor supera nossa capacidade de perdoar, quanto maior o amor, maior a mágoa.

Você foi minha melhor surpresa e, curiosamente, a maior decepção. Meu bem, meu mal, meu mel, meu fel, meu sorriso, minha lágrima e minha dor. Até que você decidiu sair da minha vida sem a menor explicação e com um motivo torpe, traiu meu respeito, minha confiança deixando uma mensagem covarde durante minha ausência. Atitude infantil, imatura e decepcionante. Ainda esperei por um conforto vindo de uma maneira mágica e imaginável, mas encontrei nos braços alheios aquilo do qual me privou.

Portanto, agora decreto minha liberdade e te abandono da mesma forma que me abandonou. Chega! Parece uma vingança, mas é uma atitude mais do que justa, uma atitude de quem ainda possui o pouco de amor próprio que sai recolhendo aos cacos. Recupero meu coração, arrancando dele tuas lembranças e que outros corações possam ocupá-lo brevemente.

Voei, baby, voei porque me deram novas asas, novos ares, novos céus. Voei para onde pudesse encontrar porto seguro, voei para os braços de quem podia me acolher. Te deixo com pesar, com dor, com mágoas, com lembranças que sempre tentei evitar quando minha esperança era a de guardar o melhor de ti, mas você parecia querer que o sentimento de raiva brotasse em mim. Se o intento era esse, devo reconhecer que foi satisfatório, pois aquela visão de menino doce, amável e especial finda aqui com esta mensagem.




*publicado originalmente em 05/09/2010 no Blog de Loba Muito Cruel.

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