Aborto: o filho que sempre existiu mas que eu nunca vi nascer



Eu sempre quis ser mãe. Sempre. Eu queria ver minha barriga crescendo, fazer trezentas fotos dela, escrever com caneta colorida e todo aquele ritual brega que as grávidas fazem. Eu queria conversar com meu bebê e colocar fones de ouvido na barriga para que ele pudesse escutar, certamente começaria com alguns clássicos eruditos mas sem deixar de lado o Sisters of Mercy, Kraftwerk e Elvis. Eu sempre quis adotar também, de preferência aquelas crianças mais preteridas: negras, do sexo masculino e de idade mais avançada. Mas independente disso eu sonhava com a enorme barriga de grávida. Ao ver uma na rua eu não conseguia desviar meus olhos dela e, imediatamente, construia uma imagem mental de como eu ficaria com aquele barrigão lindo que eu iria fazer questão de exibir. Dizem por aí que há três coisas que não sentem frio: polar, pinguim e periguete, mas arriscaria uma quarta, grávida que quer mostrar o barrigão, tipo eu. Mas, por algum motivo, Deus e o Universo talvez não quisessem que fosse assim.

 





Acomode-se porque a história é longa...

(ATENÇÃO: post não excepcionalmente escrito debaixo de lágrimas e passível de erros ortográficos e de digitação ofuscados pela emoção, sono, habitual dislexia e total entrega que me deixa em transe - já escrevi "anteção, "atneção" e "atençoã -. Comunique-me, por favor)


O ano era 1997 e eu estava à beira de uma separação. Já estávamos morando em casas separadas mas tínhamos contato, costumávamos sair juntos e até ficar juntos. Não queríamos nos separar mas sabíamos que talvez fosse a única solução. Decidimos tentar mais uma vez e ele voltou para meu apartamento e achamos que o melhor que podíamos fazer seria viajar. 

Engravidei em Nova Iorque e não poderia ser mais perfeito, mas demorei a descobrir que estava grávida. Pior: fui vacinada contra sarampo durante a gravidez sem ter conhecimento dela, e como não havia nenhum estudo conclusivo publicado sobre os efeitos da vacina no embrião ou feto, iniciamos uma via sacra em consultas e exames com diversos médicos e especialistas. Um deles já tinha sido meu médico ginecologista uma vez porém, vocês sabem como as coisas são, troca de seguro saúde e aquela coisa toda que nos obriga a efetuar algumas mudanças contra nossa vontade. Meu médico era ginecologista, obstetra, mastologista e especialista em reprodução humana em sua própria, conceituada e chic clínica nos Jardins, em São Paulo. Eu estava em boas mãos e a opinião dele era decisiva. 

O prognóstico não era muito animador, ele repetia o mesmo que os médicos anteriores que não haviam pesquisas e estudos sobre os efeitos colaterais da vacina contra sarampo em fetos e embriões. Meu pré-natal era excelente e eu não queria acreditar que aquele detalhe poderia estragar tudo. Mas ao menos ele deu uma sugestão: consultar um geneticista, cujos valores das consultas e procedimentos equivaliam a um carro popular 0km, realizando exames muito invasivos que poderiam até causar o óbito do bebê portanto somente eram realizados em casos de extrema necessidade. Para piorar, depois de todo o investimento eu poderia receber um diagnóstico de má formação e ainda teria que lidar com a decisão de prosseguir com a gravidez ou interrompê-la, ou seja, eu ainda teria que decidir se meu bebê merecia uma chance ou não, e ter um bebê com deficiência intelectual ou física não seria suportado pelo meu então marido na época e um aborto era algo inimaginável para mim depois de conviver de perto com amigas e parentes que optaram por ele.

Saímos do consultório e decidimos jantar em nosso restaurante predileto. Meu marido perguntou o que eu queria fazer porque, se fosse necessário, ele gastaria o dinheiro que fosse, mesmo que não o tivéssemos, mas minha cabeça girava tanto com tanta informação, possibilidades, decisões e responsabilidades que eu respondi um "seja o que Deus quiser, eu não quero ter que tomar decisões tão difíceis".

Eu não era uma pessoa muito vinculada a crenças ou religiões, mas acho que Deus me ouviu. No dia seguinte, menos de 12h depois de ter dito isso a ele, entrei no chuveiro de manhã cedo para me preparar para ir para a empresa e comecei a sangrar. Foi um desespero enorme, uma correria e vários telefonemas. Fui para no pronto socorro do Hospital São Luiz. 

Entrei chorando e desesperada porque, por mais que eu não soubesse o que poderia acontecer, a ideia de ter meu bebê morrendo era horrível. Fui atendida pelo médico de plantão que na verdade era o chefe da Ginecologia e Obstetrícia do Hospital São Luiz, uma pessoa maravilhosa que acabou se tornando meu médico depois. Anos depois ele sofreu um acidente horrível que o tornou completamente inválido, uma pena, um jovem médico competente e fantástico, nunca me esquecerei dele. Com toda a calma do mundo ele conseguiu acender em minha uma esperança: "calma, quem disse que você perdeu ou vai perder seu bebê, ei, o médico aqui sou eu, menina, relaxa que eu vou cuidar de vocês dois". Olhei para o sorriso dele e interrompi o choro. A cena está presente na minha cabeça, a roupa que eu usava, o sorriso dele, uma mão dele na minha barriga e outra na minha testa. Um sentimento de paz invadiu meu coração que logo foi interrompido por um "wooo hoooo" do médico: "eu não te disse para confiar em mim, olha o coraçãozinho dele batendo firme e forte", me apontando para o aparelho de ultrassonografia aumentando o som para que todos pudessem escutá-lo. Chorei novamente, mas dessa vez de felicidade e esperança.

O sangramento parou, ele fez exames complementares, me medicou vários hormônios para segurar a gravidez (franceses, que nos custaram "os olhos da cara") e achou melhor que eu ficasse no apartamento da minha mãe praticamente em frente ao hospital, do que ficar num ambiente frio e hostil. Eu achei ótimo porque estaria a duas ou três quadras deles no caso de uma emergência e assim fui para casa da minha mãe por volta das 12h00. 

Os hormônios e medicamentos me deram sono e fizeram com que eu dormisse até por volta das 18h00 quando acordei berrando de cólica. Era semelhante a uma cólica menstrual só que muito pior, e olha que eu sofro de cólicas medonhas do nível "só Buscopan na causa" (e na veia, que me deixa dormindo por três dias seguidos). A dor era tanta que eu desci deitada no elevador porque nem conseguia ficar de pé. Fui vomitando por todo o trajeto, a dor era insuportável e eu tinha a certeza de que iria morrer. Aquilo não era normal. 

Fui internada às pressas e só sei que eu gritava tanto de dor que o hospital todo me ouvia. Meus familiares choravam com meu sofrimento, os médicos e as enfermeiras não sabiam mais o que fazer e como me medicar. Fui entupida de analgésicos e só me lembro de agarrar outro médico da equipe pelo colarinho e quase ameaçá-lo de morte se não desse um jeito naquela dor. Lembro dele desesperado me dizendo que não havia mais o que fazer sobre a minha dor porque os medicamentos que me deram era os mesmos que davam para vítimas graves de acidentes, o próximo passo era me induzir ao coma e isso não poderia ser feito. 

Apenas a título de informação, legalmente os médicos não podem tocar no bebê. Eles não podem fazer nada que acelere o óbito do feto mesmo sabendo que o aborto é inevitável e cujo único fim será a perda da gravidez. Eles só podem interferir se a mãe correr risco de morte, e não era o meu caso. O máximo que poderiam fazer é tentar minimizar minha dor física já que ela era tão intensa que eu já tinha até me esquecido da dor psicológica. Por alguns momentos, eu estar perdendo meu bebê era um mero detalhe, eu nem conseguia mais raciocinar de tanta dor. Outra explicação: em virtude de eu ter tomado tantos medicamentos e hormônios para segurar a gravidez algumas horas antes, isso fez com que o colo do meu útero se fechasse e travasse a ponto do útero não conseguir seguir seu curso natural e expulsar o feto, por isso a minha dor potencializada a mil, meu útero quadriplicou de volume devido à grande quantidade de sangue acumulado e não expelido, quanto mais ele crescia, mais ele contraia na esperança de expulsar o feto e mais dor eu sentia. Eu nem quero imaginar o que pequeno feto de 12 semanas passou lá dentro porque foram mais de 8h horas de sofrimento e de "trabalho de parto". Sim, o aborto é semelhante ao trabalho de parto, mesmos sintomas, contração e tudo o resto com a diferença de que na gravidez "normal" e no parto você recebe uma recompensa no final que faz tudo valer a pena: você tem seu bebê nos seus braços.

Depois das mais de 8h mais longas e terríveis da minha vida, foi constatado o óbito do feto. Eu estava inerte, era tanta dor que eu nem conseguia reagir. A dor fazia com que eu me sentisse egoísta demais para pensar em mais alguém, nem no meu próprio filho, mesmo porque eu já sabia qual seria o destino dele, então só restava a mim me precoupar um pouco com meu sofrimento. Analisem vocês mesmo a intensidade da minha dor: recebi 3 doses de raquidiana porque a anestesia nem pegava por causa de tanta dor e medicamentos. Olhei para o anestesista e ele suava frio com os olhos arregalados. Cheguei a vomitar na sala de cirurgia de tanta dor e tiveram que me transferir às pressas.

Passei horas naquela mesa de cirurgia para fazer uma simples curetagem que costuma durar alguns minutos. A coisa toda tinha sido bem grave, eram baldes e baldes, gazes e gazes de sangue saindo do meu útero. Quando a anestesia fez efeito e aquela dor finalmente cessou, eu estava tão fora de mim que comecei a fazer piadas durante o procedimento. Eram eu e uma equipe de  junta de cinco médicos, dois anestesistas e mais duas enfermeiras. Eu me senti numa aula de Ginecologia e Obstetrícia. A coisa foi feia, apesar da recuperação excelente. Os pontos foram uma obra de arte, nem o corrimento esperado da cicatrização nestes casos eu tive.

Depois veio o sentimento de alívio. Alivo e dor. Eu sentia um vazio enorme. Me questiona e a Deus "por que eu?". Eu ligava a TV e assistia aos prantos às mães que jogavam bebês nos lixos e pensava revoltada porque eu, que tanto quis ser mãe, tinha que passar por aquilo. Mexe com as crenças, com o psicológico e com a vida. A partir dauqele momento, cresceu em mim meu primeiro desejo de suicídio. Eu tinha que me culpar pelo aborto. Eu conversava diariamente com "meu filho" que não nasceu e pedia desculpas a ele sem saber pelo o que, foram meses nesse processo me punindo e tentando culpar alguém, o tempo todo eu tentava encontrar uma desculpa para me culpar, um motivo, qualquer coisa, quando no fundo eu achava que eu é quem estava sendo punida por algo. Maior do que a dor que eu sentia naquelas noite, foram os depois. Nunca soube da causa. Na verdade eles nem investigam porque era comum naquela época o alto índice de perdas das primeiras gestações (atualmente aceitam até dois ou três abortos espontâneos antes de uma gravidez com sucesso).

E se tivesse sido ao único acontecimento, já teria dolorido o suficiente, mas nos separamos definitivamente e em 2001 eu já estava com meu segundo marido (o atual) quando engravidei nvoamente. Como da primeira gestação, não foi programada. Ficamos extasiados e logo corremos para começar o pré-natal e como da primeira vez, os exames eram perfeitos. Trouxemos a minha sogra do Rio de Janeiro e a reunimos com minha mãe na véspera do Dia das Mães para que elas se conhecessem e pudéssemos contar a novidade, eu estava com 8 semanas de gestação e tínhamos combinado de não contar antes dos três meses mas não aguentamos guardar segredo e o dia era especial. 

No dia seguinte passamos o Dia das Mães na casa de uma prima do meu marido que, carioca, moram em SP desde que se casou com um paulista. Durante o almoço comecei a sentir uma cólica leve mas que seria considerada dentro da normalidade. Ao retornar para casa a dor foi se intensificando. Deitei e a dor continuou cada vez mais forte até atingir o limite permitido. Sim,  eu estava tendo contrações. Corremos para o Pro Matre que era do lado do meu apartamento e já dei entrada esperando pelo pior. Meu médico (aquele mesmo da clinica "chic" porque o posterior já havia sofrido o tal acidente, infelizmente) que estava em convenção fora me orientava pelo telefone e preparava a equipe médica da maternidade pois ele era diretor lá. estou fazendo questão de citar os hospitais para que todos tenha plena certeza de que não fui vítima de negligência ou de mau atendimento. Não que isso não ocorra nesses hospitais, porque a maioria de casos mal sucedidos são abafados, mas porque eles fazem de tudo para tentar minimizar o sofrimento porque sabem que depois sofrerão as sanções jurídicas, seja do advogado caro da "madama" que pagou conta à vista, em "cash" ou do seguro saúde, porque geralmente estas unidades nem trabalham com convênios, apenas com seguros.

A médica era um amor, calma e tentou me tranquilizar, mas eu já conhecia os sintomas e procedimentos e, apesar de triste, estava mais preparada. Me internaram num quarto, me furaram toda (até no pé porque eu nem tinha mais acesso) e me encheram de soros e medicamentos. A dor era forte mais ainda assim bem menor do que anteriormente, o que explica a ação dos medicamentos e hormônios tomadas da primeira vez. Nessa época eu estava mais apegada a Deus (depois da minha fase nebulosa de revolta e suicídio) então me lembro  apenas de ter dito a ele: "Deus, se eu tiver que perder meu bebê novamente, que assim seja, mas não me deixe passar por tudo aquilo novamente, já sofri o bastante". Ao dizer isso, senti uma vontade estranha de ir ao banheiro, não saberia explicar o que era, parecia uma vontade de urinar mas não vinha do meu canal urinário, vinha do meu útero e eu conseguia sentir. Levantei toda furada e cheia de canos com o auxilio de duas engermeiras e minha mãe (meu marido tinha ido levar minha sogra e cunhado ao apartamento junto com meu irmão) carregando dois pacotinhas de soro. No que eu sentei e relaxei senti algo escorregando feito sabonete, saindo como menstruação mas era mais volumoso, parecia um enorme coágulo. Ao olhar para o vaso eu tinha cerrteza de que um coágulo não tinha aquele tamanho, principalmente porque as contrações e dores pararam seguida. Era meu bebê indo pelo vaso sanitário. Eu não sentia mais nada, voltei para a cama e aguardei a realização do ultrassonografia para confirmação: não deu outra, o médico confirmou a total ausência do embrião. 

Eu já estava com aquela camisola horrorosa, pálida, com a cabeça inclinada frente, em uma cadeira de rodas em uma cena digna de derrota de alguém completamente apático pela vida, eu não tinha forças para chorar mas lágrimas não paravam de escorrer pelo meu rosto. Todos choraravam mas eu não conseguia dizer uma palavra, aquele vazio tomou conta de mim novamente. A única coisa que tentei balbuciar foi um "agora não, por favor" quase inaudível quando tentaram me consolar dizendo o "foi melhor assim", "tinha que ser assim". Porra, não tinha que ser daquele jeito e não, não foi melhor, eu queria meu bebê, só isso!

Dessa vez recebi anestesia geral e acordei no pós operatório. Mas é uma maternidade e a sala da observação do pós operatório não é individual, além de não separaram as que abortaram das que tiveram bebê e, mesmo separadas por baias, eu conseguia ouvir o choro dos recém nascidos ao lado das mães. Foi quando minha ficha caiu então desabei de uma vez, eu chorava copiosamente e o choro dos bebês era uma tortura, eu não vi a hora de sair daquela maternidade. Se eu pudesse dar um único conselho seria: se estiver correndo risco de aborto, fuja das maternidades, porque a única coisa que você vê são mães e famílias felizes acompanhadas de seus bebês enquanto você deixa o local duplamente vazia por dentro e sem seu bebê nas mãos e sem esperanças no coração.

Dessa vez tentaram recolher restos fetais mas infelizmente não detectaram nada pela ausência deles, eles haviam ido mesmo pelo vaso sanitário e com eles a oportunidade de eu finalmente conseguir ter conhecimento das causas abortivas. Posteriormente, num acesso de loucura, depressão, frustração e desespero, fiz um escândalo na apenas no laboratório como também na maternidade, alegando que as enfermeiras ficaram com nojinho de chamar o médico e recolher meu bebê da privada. Talvez eu tivesse razão, mas depois melhor nem remoer esse assunto e reabrir a ferida. A médica fez minha alta mas eu continuava do mesmo jeito que sai do exame de ultrassonografia, muda e apática, com a cabeça inclinada olhando para o chão e ao mesmo tempo para o nada. O único momento em que quase esbocei uma reação, mas tive vontade de pular no pescoço dela, foi quando ela me disse que uma paciente dela teve oito abortos antes de ter o primeiro filhos e agora já tinha três. Minha senhora doutora, e a senhora acha que eu consigo passar mais seis vezes por isso, faça-me o favor... 

No decorrer dos anos eu tinha algumas certezas e duas delas eram: que eu não queria passar por tudo isso nvoamente e que certamente minha próxima gravidez seria de risco e eu teria que passar nove meses deitada. Eu? Workholic e nove meses deitada? Fomos adiando, nunca evitamos mas também nunca tentamos, mas dificilmente tínhamos relações em períodos férteis. É um assunto muito particular e pessoal mas é interessante citar para que entendam que não sei se era porque talvez fosse uma espécie de providência divina ou um sentimento automático e instintivo de autoproteção. Sempre havia uma desculpa: perder peso, parar de fumar, mudar de casa, arrumar emprego, ganhar melhor, construir a casa, trocar de carro, espaço, dinheiro e assim fomos adiando até hoje. 

Eu não sei o que vai ser, como será e o que pode acontecer amanhã, posso engravidar essa noite. Pelo meu médico eu já deveria eliminar totalmente esse sonho da minha cabeça, é mais prudente e seguro devido aos acontecimentos passados somados a minha idade e outros fatores de risco (porque a idade chega para todos e com elas os problemas), como ele disse, ele não pode me proibir e decidir por mim, mas seu dever é expor os riscos e dificuldades a mim. Por outro lado acreditamos em forças divinas maiores do que tudo mas nunca tentamos e nem tentaremos inseminação artificial por dois motivos: primeiro porque queríamos que ocorresse da forma mais natural possível e segundo porque meu problema nunca foi engravidar, eu sempre fui fértil até demais, (engravidei todas as vezes tecnicamente fora do período fértil por volta do 20º dia do ciclo) o problema era manter a gravidez e nunca soube se era um problema genético com os fetos causando má formação porque meus exames eram perfeitos. Nunca saberei. Estou me referindo aqui a questionamentos que geralmente as pessoas fazem porque elas não entendem a diferença entre ser fértil e conseguir manter a gravidez e também sempre me perguntam sobre adoção. Sobre adoção, como eu disse, sempre foi um projeto antes mesmo de tudo o que aconteceu. A questão não é ser mãe, eu sempre quis passar pela experiência para me sentir completa como mulher, isso me faz falta, faz diferença na minha vida, é algo sobre o qual não tenho controle.

No momento vivo numa fase que oscila entre indignação, frustração, conformismo e aceitação. Talvez ela termine amanhã ou talvez demore anos, nunca saberemos. Mas eu não quero que as pessoas sintam dó de mim. O objetivo de relatar isso sempre esteve relacionado com duas coisas: a dor da experiência de lidar com sonhos frustrados e com a questão do aborto não espontâneo. No outro blog publiquei dois ou três posts sobre o assunto mas ainda não tinha relatado na íntegra e com detalhes o que acobteceu comigo. Ainda tem um terceito aborto "não oficial" que aconteceu entre os dois, mas eles está completamente atrelado a outra história louca que já contei no outro blog mas que pretendo trazer cá ainda para então voltar a abordar o assunto aborto e legalização.

Concluindo, não é legal, é dolorido. E mesmo que talvez mais do que a uma mulher que nunca desejou ter filhos, porque eu sempre desejei esses bebês mais do que tudo na vida, nada se compara à emoção de se ouvir o coração do seu bebê pulsando dentro de você. Chame do que quiserem, semente, feijão, feto, embrião, célula, "nada", eu tenho para mim que algumas mulheres que defendem o "direito da mulher aborto" (porque ninguém está se importando com o bebê - ou a semente, feijão, feto, embrião, célula, "nada") rotulam com os piores e mais frios termos para tentar desassociar da única coisa que é: vida. Uma VIDA que não depende de outra coisa a não ser de você. Vida que nem pediu para existir e que talvez tenha acontecido num momento de falta de responsabilidade e comprometimento dos que o fecundaram, porque em pleno 2014, com internet, redes sociais, informação voando, com os "não é pelos R$ 0,20, com o povo lutando pela legalização da maconha, engravidar "por acidente", por favor, né? Uma vida que você vai se questionar toda a sua existência se seria menino, menina, se seria negro, branco ou amarelo, se teria olhos escuros ou claros, se os cabelos seriam lisos ou crespos e com quem ele ou ela poderiam se parecer. E isso acontece com todas que eu conheci e que um dia defenderam o direito ao aborto e que não sofreram aborto natural, mas optaram por fazer um  aborto. Porque somos jovens, porque nossa cabeça muda. Por mais que essas mulheres sempre tivessem afirmado para si mesmas que jamais desejaram ou planejaram mães, anos depois elas sem pelas atitudes irreversíveis que tomaram no passado e até hoje caminham pelas ruas procurando por rostos familiares. Eu não sei, talvez porque exista algo maior dentro de cada mulher, e que aflora somente no momento certo para cada uma delas, chamado instinto materno e que elas não são capazes de controlar. Infelizmente eu não tenho todas as respostas.









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