Vampiros da vida real



Durante dias eu relutei em externar o que eu estava sentindo, mas minha sinceridade extrapola todos os limites sobre os quais eu ainda ache que tenho alguma soberania, porque eu sempre acho que sou dona das minhas emoções e sentimentos, quando na verdade são eles que me escravizam, me controlam e me denunciam. Minha preocupação era a de que parecesse uma "tentativa de me explicar", principalmente porque estes dias li uma frase que me marcou muito: "quem pede muitas desculpas, é porque tem culpa". A intenção não é a de tentar me justificar, mas de colocar para fora esse sentimento que está me corroendo por dentro, cujo nome é ingratidão.






Quem me conhece bem já sabe, mas quem não me conhece saiba que sou do tipo de pessoa que se envolve com tudo e com todos. Alguns dizem que sou páraraios de malucos, como forma de amortizar determinadas situações, mas não seria irônico se as pessoas soubessem que minha segunda opção de faculdade era Psicologia (as primeiras eram Veterinária ou Zootecnia). Na verdade eu gosto de ouvir pessoas, gosto de ajudar pessoas, e elas correspondem às minhas expectativas me procurando para me relatar os "causos" mais bizarros e surreais.

Eu não quero entrar no mérito da história recente da minha vida nos últimos cinco anos, mas o cenário era recheado de ciberativismo, stalkings e hackings. Junte a isso o fato de eu usar uma "personagem" na internet, que na verdade era eu mesma, apenas alguém que omitia sua identidade real. Enfim, o quadro era: uma pessoa assustada e perseguida que desconfiava de todos.

Sempre tentei ser o mais educada possível e dar atenção às pessoas, fossem conhecidas ou estranhas. Alguns me viam como "webcelebridade" e isso me incomodava, principalmente quando se excediam. Eu sempre fui arredia em relação a qualquer tipo de fama e, somado ao meu quadro neurótico e paranoico da época, lógico que seria compreensível que talvez tenha exagerado em algumas situações porque tudo soava mais intenso. Algumas várias pessoas eu naturalmente vim trazendo para meu mundo "real e offline", eram pessoas com as quais eu me identificava e queria que elas fizessem mais parte da minha vida. Dizia a elas minha identidade porque eu acreditava que a confiança era uma prova de o quanto elas representavam para mim. Muitos não tiveram acesso a essa informação, mas isso não quer dizer que eles significaram menos para mim, apenas não ocorriam oportunidades para que eu pudesse me revelar. Durante muito tempo eu até conseguiam manter certo controle sistemático sobre minha vida virtual e controlar as pessoas que me seguiam no Twitter, eu tinha condições de saber quem era, visitar seu perfil, enfim, checar cada um deles. Com o passar do tempo e o aumento de seguidores isso se tornou uma tarefa inviável em muitos momentos, eu diria na maioria deles.

Eu não quero ter que relatar aqui em mínimos detalhes o que aconteceu e ficar ligando nomes à pessoas e fatos, comecei a contar a história desde o começo e acabei deletando os três parágrafos seguintes, principalmente porque eu acho muito "leonino" falar de alguém pelas costas sem mencionar ou dar a essa pessoa a oportunidade de se defender, como eu disse, eu só quero desabafar e transformar o ocorrido em uma lição para mim mesmo ou, melhor, que alguém possa tirar proveito dela como um alerta.

É incrível como as pessoas se aproximam de você quando você parece ser alguém influente em determinado meio. Não que eu me ache isso ou aquilo, mas dependendo do ângulo sob o qual se observa as coisas e dos parâmetros que você tenha em mãos, essa análise pode ocorrer de uma forma ou de outra. Para uma pessoa que tem menos de cem seguidores no Twitter, eu sou uma celebridade, alguém inatingível que nunca dará atenção a ela. Esse estereótipo, infelizmente, foi criado pelos próprios usuários da rede: a medição da influência ou fama de alguém pelo seu número de seguidores. E às vezes você quer ser apenas uma pessoa comum e  educada e a pessoa interpreta isso como sendo uma resposta positiva às suas investidas porque determinado grupo de pessoas que tem um perfil semelhante ao seu não costumam dar atenção a "anônimos". Se for uma pessoa carente em todos os aspectos, isso pode soar como uma bomba relógio. Às você demora para perceber algumas situações e encaixar algumas peças e, antes que possa ter uma noção dos fatos, a pessoa já invadiu sua vida e está te intimidando. Você se encontra preso numa situação onde não sabe dizer "não" e continua errando, não percebendo que determinadas atitudes e reações podem indicar sérios problemas de comportamento.Ou você até sabe que precisa dizer "não" mas tem medo ou receio. Sei lá, medo da pessoa enlouquecer, de surtar, de soltar definitivamente o monstro que existe dentro dela. Ou quem sabe você prefira agir ingenuamente ao pensar na possibilidade de existir aí uma amizade, "se você não pode contra eles, junte-se a eles", diriam por aí. Mas às vezes a pessoa tenta, o tempo todo, te passar uma imagem de que reconhece seus erros, pede seu perdão, te elogia, te coloca num pedestal e você não consegue dar uma basta em tudo, você fica com dó ou pena.

Você se vê num circo armado e não tem como escapar dele, então a única solução é entrar de cabeça e tentar reverter o quadro fazendo com que a pessoa mude e busque ajuda. Você mostra a essa pessoa como ela está se comportando de modo inadequado e ela, mesmo concordando que você tenha razão, insiste no erro e ainda por cima se recusa a procurar ajuda. É esse o "momento 00h00" do seu vampiro. Então você começa a se sentir sugado, a pessoa vai tentando te sugar dia a dia, minuto a minuto. Ela quer sua atenção o tempo todo, a todo momento, em todas as situações. Mesmo que você esteja entretida e presa num debate complexo e sério, a pessoa quer que você saia dele e volte sua atenção a ela mesmo que a motivação seja de uma futilidade sem fim, porque ela é o foco principal, ao menos na cabeça dela, porque é assim que ela age. E ela não aceita que você discorde dela, contrariada, se ela não demonstrar isso diretamente a você, ela ficará sinalizando isso através de indiretas, mas do tipo de indireta com endereço certo, mesmo que você não escute ou não leia seu nome lá estampado você sabe que é de você que ela fala pelo teor do assunto e as sequências dos acontecimentos., De repente a pessoa passa a atravessar seu debate com outras pessoas, provavelmente ela não tem nenhuna opinião para emitir sobre o assunto, está apenas querendo ser ouvida ou lida, às vezes faz uma piada um comentário inadequado e aquilo começa a te irritar profundamente. Mas talvez você não queria ser grosseiro e direto, então você começa a dar pequenos e sutis cortes ao invés do mais correto, que seria ignorar a presença dela. Mas às vezes a intervenção dela é tão forte e constante que talvez você nem consiga ignorá-la e você erra novamente se calando com medo de magoá-la. O nível chega a uma complexidade tal que tudo o que a pessoa diz ela te inclui na esperança de chamar sua atenção como se você fosse obrigado a ter opinião sobre tudo o tempo todo, e quando você discorda dela, ou se você sutilmente interrompe esse processo, ela faz aquele seu show particular e se vitimiza, ameaçando o suicídio internético na esperança de que você tenha uma última atitude piedosa e implore a ela para não fazer isso, realçando o fato dela ser muito importante. 
Quando você perceber, estará emaranhando numa grande teia da qual não conseguirá se livrar nunca mais, porque essas pessoas não admitem ser ignoradas, elas não admitem perder você. E você continua alimentando a besta fera a tal ponto que sua vida passa a ser pequena demais para ela, seus problemas são ínfimos. Ou você acha natural que a pessoa não seja capaz de compreender que seu parente está morrendo de câncer e que você precisa ficar ao lado da sua família ao invés de ir ao seu encontro e por mais que ela diga que compreende ela sempre irá cavar uma oportunidade para jogar na sua cara que você falhou com ela? Porque você pode falhar com qualquer pessoa, até com aquela que convive intimamente com você todos os dias, mas você nunca poderá falhar com ela, com o seu vampiro de estimação.
Todo mundo tem seu bloquinho imaginário onde anota mental e secretamente o que os outros fazem por você. O meu é enorme. Enorme porque eu nunca sei quando dizer não. Eu sei que é um erro, um defeito e tenho trabalhado para lidar melhor com isso, mas meu coração de manteiga fala mais alto o tempo todo e acabo me prejudicando por ter dó ou pena das pessoas. Mas o tempo todo estou munida do meu bloquinho mental que, na verdade, se parece mais com um copo d'água. E quando ele transborda, é difícil alguém conseguir evitar o derramamento total e catastrófico. Um dia é assim, você simplesmente estoura. E não é do dia para a noite, são gotas e mais gotas homeopáticas e, quando me dei conta, o copo transbordou e eu sequer vi o seu processo lento de enchimento. E mesmo que a pessoa tenha ciência do seu egoísmo, este é tão forte e enraizado que ela é capaz de ignorar por completamente os fatos e ainda se achar vítima de toda a situação. Seu coração mole fraqueja e o seu vampiro de estimação tenta, de todas as maneiras, tentar mostrar que ele é a vítima e que você é o opressor ingrato e, principalmente, mentiroso, ignorando tudo o que já foi dito e conversado. Seu poder de sedução e persuasão é tão forte que, por um momento, você até começa a questionar se sua atitude foi a mais acertada ou não, mesmo que existem dezenas de pessoas concordando positivamente com ela.

Por alguns curtos instantes eu não tive mais certeza de nada mas, por um motivo que nem eu posso explicar, comecei a enxergar algumas atitudes que denotaram a falta de caráter do meu vampiro, entre elas, apagar palavras ditas que poderiam ser usadas como prova contra ele mesmo. Nesse momento você tem a plena certeza de ter feito a coisa certa. Então a história acaba? Não. Durante dias a pessoa passa a te espionar constantemente e comentar suas atitudes e suas palavras. E vai além, não apenas te espiona por trás da porta como tem a plena e doentia certeza de que tudo o que você está dizendo ou fazendo diz respeito a ela, como se a vida desse sugador de vidas já não fosse suficientemente risível e medíocre. E pior, apela para um argumento nonsense de que está sendo vítima da espionagem por inveja ou recalque. É surreal. Eu sempre tive a certeza de quem suga é quem quer a vida sugada para si, e não o contrário. Mas o pior é que pessoa saber exatamente como é seu comportamento e insistir em algo que você jamais faria e, mais, saber o quanto você é conhecida ou querida e que existem pessoas queridas que se preocupam contigo e lhe contam coisas, além de saber que vocês podem ter amigos em comum que poderiam lhe confidencar outras. Eu atribuo isso a uma necessidade de continuar sendo o centro das atenções porque a fixação da pessoa é tão grande que ela precisa acreditar que é alvo da inveja, do recalque, da espionagem e de tudo o que você faz ou diz. E a pessoa insiste no argumento de "ter inimigas", pessoas que estão dentro apenas de seu imaginário e que, geralmente, nem sabem de sua existência. Para sua vida ser invejada, ela precisa, no mínimo, ser interessante e parecer feliz. Ela precisa ter um "plus", o algo a mais que o invejoso não tem. Pode ser um parceiro ou parceira que te ama verdadeiramente, um ótimo emprego, uma casa linda, uma família maravilhosa, prestígio, respeito, sucesso, ou seja, para ser invejado, é necessário ser relevante na sociedade, é impossível você invejar aquilo que, segundo determinados parâmetros pessoais seus, é inferior a você.

Os vampiros da vida real estão sempre mais próximos de você do que você imagina. Em determinado momento ele irá atacar. Quando a vítima consegue escapar de seus dentes, ele parte para outro, para outro, para outro e assim sucessivamente. Eles são fofos, meigos, parecem inofensivos, semelhantes aos vampiros descritos nas fábulas e lendas, extremamente charmosos e irresistíveis. Eles tem toda uma técnica para te envolver, começa com o elogio e, uma vez que essa fórmula se desgasta, apela para a sua compaixão fazendo com que você se sinta culpado e não consiga abandoná-lo. Ao abandoná-lo, arme-se. Prepare-se para as mentiras, o vitimismo, a chantagem. Eu aconselho a não discutir o problema com amigos em comum porque, uma vez que o vampiro seduz e vitimiza, ele pode tentar inverter a situação favoravelmente para si. Aqueles que são seus amigos verdadeiros, certamente virão lhe procurar para saber a sua versão da história, isso quando eles já não desconfiarem da situação já bastante tempo ou já tenham sido vítimas...

Algumas considerações PS: eu não me acho, eu sou (mentira, não sou arrogante assim, mas sem falsa modéstia, sei do meu valor e da imagem que eu construí ao longo dos anos) e se você desconfia que estou me referindo a alguém especial, se você identificou esse comportamento e acha que pode estar sendo vítima de um vampiro em especial, coloco-me à disposição para uma conversa particular, procure-me no Twitter.





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