Essas peças que a vida prega a todos...



... Ou "I can't take no love to Texas this time, take me home..."


Não havia nada com o que se preocupar naquela noite, a não ser procurar se divertir ao máximo que pudesse e isso ela sabia realizar com maestria. Sentia-se livre e leve, isenta de qualquer tipo de preocupação que ela havia deixado nas 18h daquela sexta-feira.







Antes de partir para a diversão recuperou a mensagem que estava aguardando há três dias da amiga que havia acabado de retornar de uma longa temporada nos Estados Unidos informando em que hotel estaria, já que seus pais haviam mudado de cidade e vendido o apartamento assim que a filha partiu de viagem:

“Amiga, que saudade, quanto tempo! Chego ao Brasil na próximo sexta e meu irmão irá me buscar e me levará direto para o hotel! Não se preocupe, tenho muitas coisas para resolver durante a semana e te ligo para nos vermos . Tenho novidades incríveis! Te amo, um beijo”.

Sentia-se feliz pela amiga porque, pela primeira vez, pressentia ótimas notícias apenas pelo tom de voz de Letícia, mas precisava segurar a ansiedade até a sua chegada e a forma que encontrou foi a que conhecia bem: bebendo e dançando.

Não sabia se os efeitos dos primeiros goles de Jack Daniel’s estavam surtindo efeito ou se apenas se sentia natural e incrivelmente feliz e atraente naquela madrugada e essa sensação parecia ter sido sentida pelo rapaz de cabelos negros sentado sozinho no fim do balcão do bar que não conseguia desviar o olhar de seus passos na pista de dança.

Em determinados momentos, quando a letra da música dizia “...here comes that girl out on my horizon, straight into my arms, straight into my heart...", ela não resistia e olhava para aquele rosto desconhecido que sorria para ela o tempo todo mas que parecia fitá-la apreensivo na mesma parte da música de tal forma que ela também se sentia um tanto incomodada.

Seu ponto fraco sempre foi homens morenos, mas aquele rapaz de cabelos negros parecia ser muito mais do que isso e ela seria capaz de descrevê-lo com riqueza de detalhes mesmo que o tivesse visto por apenas alguns minutos. A atração era óbvia porém, ao mesmo tempo, sentia um arrepio de um temor que não saberia explicar, mesmo porque não haviam motivos para sentir aquilo, que tipo de perigo um estranho poderia apresentar além dos inerentes a ser um estanho? Essa mistura entre atração e terror é que a fascinava naquele homem e a impedia de resistir a uma eventual investida que ele pudesse aplicar.

Antes que a música pudesse terminar o rapaz moreno levantou-se do balcão e, arrastando seu copo sobre ele, percorreu o curto caminho até a pista de dança onde ela dançava com passos de soldado. Em um rápido giro, como se houvessem ensaiado os passos anteriormente, ela acabou esbarrando e caindo em seus braços, colando seu rosto ao queixo de barba serrilhada, o suficiente para se sentir embriagada pelo aroma de Jack Daniel’s que, dessa vez, vinha de seu hálito. Ele a segurou pela cintura evitando que ela caísse ao mesmo tempo em que sorriu, sendo imediatamente retribuído: “Salvei sua vida, mereço outra dose?”, perguntou ele com um sotaque que ela não conseguia identificar, diferente da bebida que era a mesma que a sua.

No balcão do bar a conversa seguia tranquila e íntima como se conhecessem há anos, mesmo que cada um estivesse fazendo um breve resumo de si mesmo pela primeira vez ao outro. Nolan era seu nome. Inglês mas fluente em português, estava no Brasil há menos de uma semana para tratar de assuntos profissionais e pessoais. Formou-se em Direito na Cambridge e havia trabalhado por um longo período em Portugal, por isso o conhecimento do nosso idioma cujo sotaque ela não havia conseguido decifrar facilmente: inglês falando português de Portugal.

Nolan conseguiu conquistá-la em apenas alguns minutos não apenas com sua educação britânica, mas também com seu vasto conhecimento em música europeia que tanto a fascinava, a tal ponto que, alguns detalhes como idade e estado civil, pareciam não fazer qualquer diferença naquele momento, muito menos por quanto tempo ele ainda permaneceria no Brasil.

Afoita, enquanto revelava as bandas e músicas que tinha como paixão em comum e seu interesse em passar uma temporada na Europa e, em especial, no seu país, Nolan a interrompeu com longo e profundo beijo inesperado. Ao final dele, lançou mão de outro trecho daquela música que agora faria parte da história da vida deles para sempre: “Take me home... Straight into my arms, straight into my heart...”. Puxando ele pelos braços, ela o levou até seu carro e depois até seu apartamento e ali se amaram durante toda a madrugada daquela noite até a manhã de segunda-feira, quando as obrigações de ambos os impediram de continuarem juntos.

Nolan e ela se viram a semana toda. Assim que ela saía do trabalho corria para pegá-lo depois de seus compromissos no final da tarde. Às vezes passavam horas trancados no quarto apenas conversando ou namorando, às vezes faziam longos passeios de carro pela cidade, sem destino certo ou paravam em alguma mesa de bar ao ar livre para curtir o calor daquele verão de mãos dadas, sem trocarem uma palavra sequer, observando as pessoas comuns e fazendo planos. De repente Nolan a fitava seriamente, passava-lhe as mãos nos seus cabelos, a beijava e lhe dizia que tinha certeza de que queria passar o resto de sua vida ao lado dela.  Naquele momento ela parecia estar vivendo a cena de um filme impossível de amores surreais, tudo era irritantemente perfeito, os locais, os momentos, o clima, as pessoas, as músicas, os cheiros. Ela se perguntava até quando esse filme iria durar mas não queria pensar muito nisso porque sabia que essa história estava condicionada à presença passageira de Nolan no Brasil.

Em um desses momentos que às vezes a desconcertavam com sua seriedade, Nolan revelou que precisava lhe dizer algo sério e importante. “Você é casado”, ela respondeu antes que ele pudesse dizer algo. Diante da negativa dele ela disse: “o maior problema seria se você fosse casado, tenho ciência da nossa situação, sei que em breve você irá voltar para seu país, para a sua vida e não posso impedir isso, mas se você me disse tantas vezes que quer passar o resto da sua vida comigo, eu não tenho medo, eu te esperarei o quanto for preciso...”. Nolan derrubou algumas lágrimas antes de puxá-la contra si e beijá-la como se fosse a última vez que a beijaria.

Nolan precisaria se ausentar por uns dois ou três dias devido a seus compromissos, mas uma ligação de sua amiga recém-chegada dos Estados Unidos fez com que ela tentasse minimizar a dor da saudade que já sentia dele. Letícia não aguentou a ansiedade e queria vê-la portanto marcaram um almoço mesmo que pudessem se falar por apenas alguns minutos.

Letícia era aquela garota que todos chamavam de patinho feio na escola, dotada de uma inteligência sobrenatural a beleza definitivamente não fazia parte de seus atributos. Letícia colecionava amores platônicos ou relações mal sucedidas porém, durante sua permanência nos Estados Unidos, conheceu um rapaz que era diferente de todos que já havia conhecido, estavam noivos e eles iriam se casar no exterior. Letícia havia vindo para o Brasil não apenas para tratar da sua transferência definitiva para o exterior como para comunicar as núpcias à família e parentes.

Ela queria contar a Letícia sobre Nolan mas diante da alegria esfuziante de Letícia, achou melhor não ofuscar a alegria da amiga naquele momento tão especial, afinal de contas, era a primeira vez que notava uma mudança em Letícia até na sua maneira de se comunicar, de se vestir e de se portar, realmente seu noivo havia lhe feito um bem enorme e transformado sua vida radicalmente. Letícia finalmente era um cisne. Ficou muito feliz por Letícia mas triste por não poder também compartilhar sua felicidade e muito menos tapar o buraco causado pela ausência e saudade de Nolan daqueles três longos dias que pareciam durar uma eternidade.

O tempo era curto, portanto as amigas se despediram e retornaram a seus compromissos com um almoço entre casais combinado para o próximo sábado:  ela e Nolan com Letícia e seu noivo. Não havia ocasião, local e momento melhor para os casais se conhecerem e compartilharem suas felicidades e sonhos futuros. Estava curiosa para conhecer o noivo de Letícia e também seria o momento perfeito para lhe fazer uma surpresa lhe apresentando Nolan e compartilhando a felicidade de ambos. Sonhou alto até com uma possível núpcias em conjunto no exterior, Letícia e seu noivo e ela com Nolan, por que não?

Apesar de Nolan ter dito que os dias seguintes seriam muito intensos ele conseguiu arrumar um tempo para vê-la e finalmente ela pode rever Nolan. Parecia que estavam há décadas sem se encontrarem, cada encontro era melhor do que o anterior e ambos pareciam ter certeza do que buscavam e queriam. Não haviam declarações de amor, não eram necessárias, seus olhares e gestos diziam mais do que qualquer palavra que pudesse ser dita. Ela contou a Nolan rapidamente sobre o seu encontro com Letícia, a amiga de infância que havia reencontrado, e sobre o almoço de sábado, mas Nolan negou o convite alegando que precisava tratar de um assunto muito delicado que fazia parte da sua viagem ao Brasil, sem entrar em muitos detalhes, afinal de contas, ela já estava abatida e triste com sua recusa, mesmo que Nolan tivesse prometido disponibilidade para o dia seguinte: “meu amor, no sábado eu não posso... eu adoraria mas infelizmente neste sábado preciso tratar de um assunto inadiável... por que não tomamos algo no domingo à tarde, seria excelente para mim, trarei ótimas novidades para você e poderemos confraternizar nós quatro juntos, eu , você, sua amiga e o noivo dela!”. Meio contrariada e decepcionada ela teve que aceitar a sugestão, afinal de contas, ela teria que saber lidar com estes desencontros, ainda mais com ele morando em outro país os percalços seriam constantes até que um dos dois mudasse o rumo de suas vidas.

De volta para casa, sem Nolan, seu desejo era o de cancelar o almoço com Letícia e seu noivo, mas não podia fazer isso com sua amiga, seria egoísmo demais de sua parte cancelar o evento devido à ausência de Nolan, afinal de contas, o dia era de Letícia, a sua vida naquele momento era secundária e ela acabou aceitando o convite mesmo antes de consultar Nolan. Sendo assim, naquele sábado acordou e colocou sua melhor roupa, sua amiga merecia, para Letícia ela era a única em quem ela confiava, a única que não debochava de sua aparência na infância.

Sentada à mesa daquele confortável e amável bar-restaurante badalado de São Paulo, ela observava os casais do local, alguns com filhos, e não conseguia parar de pensar em Nolan, era inevitável não sonhar ou fazer planos e muito menos não sentir sua falta. Como Nolan adoraria aquele lugar e aquele momento, era uma pena ela não poder estar presente.

Seus pensamentos foram interrompidos por uma agitação que vinha da entrada do estabelecimento, era sua amiga Letícia que histericamente gesticulava e pulava esfuziante chamando seu nome. Sorriu daquela cena cômica que chamou a atenção dos demais do recinto, Letícia havia mudado radicalmente, definitivamente era seu dia e teria que elogiar ao seu noivo, responsável por tamanha mudança.



Letícia virou-se para trás para chamar seu noivo e apontar em direção a sua mesa. Nesse momento tudo congelou instantaneamente. As pessoas não se moviam, não havia um ruído sequer no ambiente e tudo ao seu redor parecia ter se tornado apenas uma imagem embaçada como um efeito fotográfico e o chão parecia abrir aos seus pés prestes a engoli-la. Ela não sabia se corria, se chorava, se gritava, mas a única coisa que conseguiu fazer era ficar muda, como naqueles pesadelos que costumava ter onde tentava gritar e o som não saía. Seu coração acelerou tanto que ela achou que a qualquer momento iria parar depois de saltar por sua boca e segurá-lo em suas mãos, sentiu seu sangue esquentar e resfriar rapidamente e teve a sensação de que iria desfalecer ali mesmo na presença de todos. Atrás de Letícia, estava ele, Nolan, o seu Nolan. Aquele homem com que ela esteve os últimos melhores dias de sua vida.



“Amiga, quanto tempo, que saudade! Deixe-me apresentar meu noivo... Nolan, essa é a minha melhor amiga, praticamente minha irmã...”



Nolan parecia tão ou mais assustado do que ela, mas ambos tentaram arrancar uma força descomunal de algum lugar para não transparecerem à Letícia o que estava acontecendo. E o que estava acontecendo ambos nem saberiam explicar. De repente o seu Nolan estava lá, de mãos dadas com sua amiga e, pior, noivo dela. Em alguns segundos, um filme sobre o que tinham vivido todos aqueles poucos mas intensos dias passou pela cabeça dela e uma frase de Nolan se repetia insistentemente como um grande e demorado eco: “preciso lhe dizer algo sério e importante... preciso lhe dizer algo sério e importante... preciso lhe dizer algo sério e importante... preciso lhe dizer algo sério e importante...”. Letícia era o algo sério e importante que Nolan tentou lhe dizer e ela não quis ouvir. Aquela situação era pior do que um pesadelo, era um filme de terror acontecendo em tempo real.

A situação era desconcertante demais e ambos mal conseguiam disfarçar o mal-estar mas Letícia estava tão entusiasmada para contar os detalhes de sua viagem e, principalmente, sobre como havia conhecido Nolan até se tornarem noivos que não conseguia perceber o que acontecia naquela pensa entre sua melhor amiga e seu noivo, nem as trocas de olhares, os tremores ou a falta de apetite. Nolan não conseguia encará-la por mais do que alguns segundos e seus olhos brilhavam tanto que ela tinha certeza de que ele tentava segurar o choro. Às vezes Nolan fazia menção de se levantar e dizer algo revelador mas ela balançava negativamente a cabeça de forma discreta impedido que ele cometesse alguma loucura. A única coisa na qual ela pensava era que desejava mais do que tudo que, naquele momento, Letícia decidisse ir ao banheiro sozinha. Seriam muitos poucos minutos talvez nem necessários para que Nolan pudesse lhe explicar o que estava acontecendo, mas Letícia estava animada demais para detalhar todos os acontecimentos do casamento que planejavam para sequer sentir vontade de ir ao banheiro.

Para Leticia aquela tarde só não era mais feliz do que poderia ser a do seu casamento, mas para sua amiga e Nolan eram horas intermináveis de sofrimento. Enquanto os pratos permaneciam cheios de comida devido à falta de apetite dos dois, os copos se esvaziavam rapidamente de vinho e o medo de um dos dois revelar algo devido ao excesso de vinho, era um perigo real e imediato.

Na hora de irem embora houve uma pequena confusão no momento do manobrista trazer  o carro de Letícia, tempo o suficiente para que Nolan, nervoso, cochichasse em seu ouvido: “precisamos conversar, eu posso explicar... eu tentei, você sabe...”. Ela não queria ouvir, ela não precisava ouvir. Sentiu-se enganada mas ao mesmo tempo não tinha dúvidas dos sentimentos de Nolan por ela. Enquanto Letícia ainda discutia com o manobrista, ela ainda pode dizer a Nolan para que não voltasse a procurá-la porque ele iria se casar com a amiga que mais confiava nela. “Eu não posso, não consigo, não é ela que eu amo, você sabe disso!” Nolan tentou dizer tão irritado a ponto de quase Letícia escutar ou desconfiar de algo: “O que vocês estão cochichando aí?”, indagou aos dois aos risos inocentes. “Nada, amiga, enquanto você discutia com o manobrista Nolan estava me contando o quanto se orgulha de você nesses momentos e o quanto você seria uma excelente advogada, melhor até do que ele, não é mesmo, Nolan?”. Estava mentindo, e isso era um péssimo sinal além de ir contra todos os seus princípios, mas naquele momento ela não poderia contar a verdade à Letícia. Não apenas naquele momento, mas NUNCA! O que ela diria? Que enquanto sua amiga não voltava de viagem ela conheceu seu noivo, os dois se apaixonaram e dormiram juntos fazendo planos de casamento e filhos sem que ambos soubessem da amizade entre as duas? Quem iria acreditar numa história absurda dessas de tamanha cruel coincidência?

Ela testemunhou Letícia e Nolan partindo naquele carro alugado como se fosse a maior despedida de sua vida. Talvez estivesse jogando fora o maior amor de sua vida mas jamais se sentiria feliz sabendo que poderia causar tanto dano à Letícia que lhe era tão devota.  Naquele dia chorou como se jamais tivesse chorado antes. Era um choro dolorido que talvez nunca mais sinta, maior talvez do que seu sentimento por Nolan. Se dependesse dela, jamais o veria ou falaria com ele novamente, mesmo que tivesse que inventar as maiores desculpas para evitar futuros encontros com Letícia onde saberia que Nolan estaria presente.

De onde estivesse Nolan tentava lhe telefonar diariamente, às vezes mais de uma vez por dia, por isso ela alterou seu número de telefone. Após meses ignorando Nolan recebeu um carta propositalmente sem remetente identificado mas que só abriu após ter checado que ela havia sido postada no Brasil. Para sua surpresa, dentro do envelope, um outro, desta vez postado na Inglaterra destinado a um amigo brasileiro de Nolan que foi incumbido de reenviar a carta a ela, como se fosse de outra pessoa assim ela abriria sem desconfiar do conteúdo. “Gênio”, ela pensou, e decidiu ler a carta mesmo se sentindo triste e contrariada:

“My immortal beloved, eu sinto muito por tudo o que aconteceu e não quero dizer em relação a nós dois porque você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, mas eu lhe devo explicações, explicações essas que tentei lhe dar e você se recusou a ouví-las e eu errei mais uma vez em não ter insistido. O que eu queria lhe dizer era que eu havia conhecido uma brasileira que estava morando nos Estados Unidos e que encontrei  quando esteve de férias na Europa, inclusive em Portugal. Letícia era uma garota inteligente e interessante. Eu vim de vários relacionamentos que não deram certo e ela também, estávamos carentes, nos identificamos e passamos a ter um relacionamento. Nos apaixonamos mas antes que eu pudesse tomar qualquer atitude, ela fazia planos de casamento, os quais eu sequer pensei em impedir. Eu estava envelhecendo, nos dávamos bem e pensei que um relacionamento estável e uma família seriam adequados naquele momento. Meus pais gostavam dela e me convenceram de que amores impossíveis e românticos não existiam, que o amor acontecia com o tempo e com a convivência. Fui ao Brasil para tratar de negócios então Letícia aproveitou o momento para me apresentar à família dela e contar nossos planos de casamento, indo uma semana depois ao meu encontro. Tenho amigos no Brasil mas naquela sexta-feira eu estava exausto e decidi sair sozinho para beber e dançar e jamais imaginei o que aconteceria. Talvez inconscientemente eu estava fugindo de uma situação que eu achava que era a mais correta mas que eu mesmo me forçava a acreditar. Mas quando eu vi você dançando e sorrindo na pista de dança meu coração congelou e depois disparou de uma forma que eu jamais havia sentido antes e eu pude perceber que estaria cometendo um grande erro me casando com Letícia. Quando te conheci e pude conversar contigo eu tive essa certeza. Foram os melhores mas mais difíceis dias da minha vida porque eu percebi que eu não amava Letícia e que jamais a amaria como meus pais tentavam me forçar a pensar e que você era o amor da minha vida e precisava terminar o noivado com minha noiva que chegaria em alguns dias. Letícia me falou tanto de você tantas vezes, oh, Lord, como eu não pude sequer desconfiar!?!? Toda vez que ela se referia a você era tão surreal, tão perfeito que eu pensei que em determinado momento você parecia não passar de uma amiga invisível de Letícia criada no imaginário dela e era você o tempo todo. Naquela tarde de sábado naquele bar te ver sentada inocentemente naquela mesa, me fez me sentir o pior ser humano no mundo. Quando eu vi que você, justo você, era a amiga da qual Letícia não cansava de falar meu coração se partiu imediatamente. Eu queria poder ter dito algo, queria contar à Letícia toda a verdade mas percebi que você não queria que isso acontecesse e o quanto eu e você iríamos magoar Letícia e o quanto ela te admirava e confiava em você, mas eu estava disposto a fazer uma loucura por você.  Naquele carro, sentado, olhando você nos observando partir eu tive que segurar o choro e a vontade de mandar Letícia parar aquele carro para eu descer e correr para seus braços. Naquele momento, a única coisa que vinha à minha cabeça era o trecho da nossa música, eu queria gritar e pedir para você me levar para casa, para seus braços e para seu coração! Eu sou um monstro! Eu estou prestes a me casar com uma mulher que eu não amo e deixando para trás a mulher da minha vida, que destino terrível que tipo de castigo ou punição é esse? Mas minha vida depois daquela tarde foi só tristeza e desgraça, não conseguia nem trabalhar ou pensar em qualquer coisa, comecei a sentir nojo de mim mesmo e não conseguia mais me relacionar com Letícia e dava a ela desculpas mais absurdas. Como eu estava cuidando de um caso importante e complexo consegui me afastar dela por um tempo até criar coragem de colocar um ponto final em tudo. Eu jamais poderia me casar com Letícia te amando do jeito que eu te amo. Semanas depois começamos a discutir por bobagens, me sentia um lixo porque Letícia é uma boa menina, merece o melhor da vida mas que eu não posso dar porque estou amando sua melhor amiga. Não sei se fui fraco ou forte mas não pude contar a ela os verdadeiros motivos do rompimento, mas terminamos definitivamente hoje. Eu sei que muitos podem me julgar mas eu não poderia estragar sua imagem perante ela, você não tem culpa, ninguém tem culpa pelo o que aconteceu. Eu não sei se você irá continuar tentando me evitar e sei que ficar com você novamente somente seria possível se sumíssemos do mapa em algum local onde Letícia não pudesse nos encontrar, porque eu me sentiria eternamente culpado pelo mal que sem querer causamos a ela, mas estou disposto a qualquer coisa para ter você ao meu lado nem que eu tenha que viver como índio em uma ilha deserta e inabitável com você. Eu sinto muito. Eu queria que tudo fosse diferente. Eu sonhei e planejei contigo tudo o que não fiz com ela. Te amo até o dia em que for possível nosso encontro, porque eu estaria te esperando eternamente. Your Nolan. PS:  Marcelo é o único que sabe da nossa história e nos apoia, eu precisei contar a ele, precisava de um cúmplice no Brasil que me ajudasse a falar com você, se precisar de algo ou alguma informação, procure por ele, também mudei de endereço e números para evitar que Letícia sofra mais do que já está sofrendo.”



Aos prantos ela colocou a carta de volta ao envelope antes de queimá-lo com duas únicas certezas: que Nolan realmente a amava e que jamais seria feliz com ele enquanto Letícia existisse.

A vida continuou pregando peças a todos. Letícia faleceu em um trágico acidente algum tempo depois mas ela já havia conhecido e se apaixonado por outra pessoa e nunca mais quiser saber notícias de Nolan, preferiu que essa história se resumisse aos poucos dias que passaram juntos, aos sonhos e a uma única música que ela ouve até hoje.

“Believe me… just put your hand in mine, walk into my horizon...”





*Os nomes das pessoas, locais e empresas foram propositalmente modificados ou omitidos com o objetivo de preservar a identidade dos envolvidos.

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