O que os olhos não veem, o coração sente?



Eu tenho imã para várias situações, para gente louca e surtada e, principalmente, para problemas. Uma das coisas que acontece comigo com frequência é pessoas me procurarem para desabafar e confidenciar os mais absurdos segredos. O fato é que pessoas desconhecidas confiam em mim plenamente. Sempre foi assim. E, por algum motivo que nem eu mesma consiga explicar, sabem que seus segredos estarão bem guardados.






Tenho idade para ser mãe de muita gente que me conhece ou me acompanha nas redes. E tem muita mulher na minha idade que já é avó. Talvez isso explique essa confiança. Ou talvez porque eu sempre esteja disposta a ouvir. Não sei.

Na semana passar fui procurada por uma pessoa que me segue no Twitter e que eu já sigo há um tempo. Nunca tínhamos conversado muito, mas ela era protetora e tinha uns tweets engraçados, irônicos, "surtados", mas eu sabia que ela era alguém simples, mas coerente. Uma "moça do interior" sem maldade e até ingênua e doce em alguns momentos mas aparentemente de excelente caráter e coerente. Me lembrei dela entrando em um debate político entre mim e outra tuiteira. Enfim... 

Obviamente não irei citar nomes, mas a mulher me procurou apavorada dizendo que caso acontecesse algo com ela, existia um e-mail seu que deveria ser lido pelos amigos mais próximos dela. No tal e-mail, haviam explicações e provas de um determinado acontecimento que ela não havia me dito. E que ela não sabia o porquê estava me dizendo aquilo, mas que confiava em mim. Quando uma pessoa te procura com essa informação, qual sua reação? Eu não consigo pensar em algo mais "light" do que morte. Questionei o que havia acontecido porque realmente fiquei preocupada com ela e foi então que ela me contou rapidamente que havia se envolvido com um homem casado e conhecido e que estava sendo ameaçada por ele. O que? Era um BOMBA. 

Aos poucos eu fui apertando a moça para poder saber de cada detalhe da história, não apenas com o objetivo de entender como essa história havia atingido o nível que se tornara, como também para tentar entender como tudo aconteceu. Minha reação inicial foi a da maioria dos "seres normais": como uma mulher em 2013 pode ser tão ingênua (ou esperta?)? 

Foi então que, juntando peças e informações, eu pude entender.

Em primeiro lugar, o que temos que ter em mente é que existem universos paralelos na internet e fora dela. Quem é conhecido em Twitter, pode não ser no Facebook ou outras redes e vice-versa. Quem é "de um ambiente" não faz ideia do que acontece em outro. A maioria está inserida em todos os ambientes, mas nem todos estão e, muitas vezes, estes estão alheios ao que acontece até dentro da Internet. Para ter a certeza de que eu não estava falando bobagens, fiz a pergunta "você conhece fulano-de-tal?" a vários conhecidos e, pasmem, muitos informaram desconhecê-lo. E isso fica fácil de entender quando nos deparamos com muita gente que não conhece ex-BBB, por exemplo. "Quem é? Um ex-BBB! Nunca ouvi falar..."

O grau de celebridade de um indivíduo é determinado pela audiência dele em determinado canal e não necessariamente representa uma unanimidade de um ambiente.

Temos então uma segunda questão: a do criador e da criatura. Um exemplo fácil de internet: muita gente conhece o NãoSalvo, alguns o conhecem como Cid e raros sabem que o nome dele é Maurício. O mesmo acontece neste caso. Quem está inserido no meio da internet, blogs e redes, sabe quem é o fulano que "pilota" beltrano, mas muitos desconhecem quem é ou quem são as pessoas por detrás de um perfil. Mais uma vez eu fiz a mesma pergunta anterior ao conhecidos "você conhece fulano-de-tal?" e "você sabia que a pessoa por trás do "fulano-de-tal é o beltrano?". Mais uma vez poucos ou quase nenhum soube me informar. Quantos sabem quem é a pessoa que pilota o perfil "Dilma Bolada"? Poucos. Somente pessoas relacionadas com mídias sociais.

Às vezes a criaturas tomam proporções tão gigantescas que ofuscam seus criadores.

Outro questionamento comum: mas como alguém não tem conhecimento do estado civil de uma pessoa "famosa"? Se fizerem uma busca sobre a pessoa envolvida neste caso, especificamente, não há qualquer relato sobre seu estado civil. Inclusive há uma entrevista relativamente recente em uma publicação bastante conhecida onde o mesmo afirma que não fala de sua vida pessoal.  Soma-se isso o fato da pessoas ser de outro estado, de viajar bastante e, oportunamente, sua esposa e filhos estarem de férias em outro país. Bingo. Numa situação dessas, qualquer pessoa consegue se passar por solteira ou separada por um longo período sem levantar desconfianças por um bom tempo. E quanto isso dura? Depende. Conheço pessoas que conseguiram levar uma vida dupla com duas famílias, durante anos, sem que ninguém desconfiasse. Para complicar a situação, se essa pessoa lhe apresenta a amigos pessoais e de trabalho que, percebendo que existe uma relação entre você e a pessoa casada, se omitem, por que alguém desconfiaria?

É relativamente fácil enganar alguém quando há falta de informação e quando todos os fatos e situações conspiram a favor de quem engana.

Para complicar a situação, temos uma gravidez, algo que deveria ser uma benção, não um problema... Uma gravidez pode acontecer por três únicos motivos: quando o casal quer isso, por falta de informação ou quando ocorre um acidente. Vamos deixar um pouco de lado a questão da falta de informação porque o caso aqui envolve duas pessoas bem adultas e maduras. Se você é comprometido(a), você vai facilitar que uma gravidez aconteça? Não. Você vai colocar 20 camisinhas, tomar uma cartela toda de pílulas, vai "gozar fora", vai ter relações fora do período fértil, isso se você não combinar todas as opções anteriores, porque uma gravidez indesejada fora de uma relação é a pior consequência que pode ocorrer para quem tem um compromisso com outra pessoa. Eu não irei nem questionar o outro lado da situação, porque nem vem ao caso, uma vez que uma pessoa solteira tem um único compromisso: consigo mesma. Sejam quais forem os motivos, por amor ou por interesse, ainda assim, a pessoa mais interessada em evitar uma gravidez é justamente a pessoa que é comprometida. Acidente? Talvez. Difícil. Mais provável que sim. Impossível? Não. Mas o fato é que ninguém está dentro do quarto para ter conhecimento do que acontece lá dentro. A não ser que seja uma suruba, que não é o caso. Mas não se esqueçam de que a pessoa pode engravidar sem ter conhecimento de que o parceiro é casado...

O fato é que toda mulher que engravida de um homem casado é vista sempre como a "vilã" da história, se esquecendo do fato de que ela é solteira e tem um único compromisso consigo mesma, enquanto que o homem casado tem um compromisso firmado publicamente com outra pessoa e, este sim, deveria preservar seu relacionamento e todas as pessoas envolvidas, inclusive as envolvidas involuntariamente.

Eu aprendi com minha mãe uma informação valiosa que mudou minha vida: erroneamente, a gente sempre está esperando que as pessoas ajam e reajam da forma que agimos ou reagimos. Que as pessoas pensam da mesma forma que pensamos. Mas a questão é que nem todos tem o conhecimento que temos. Não tem as mesmas histórias, as mesmas experiências, a mesma bagagem. 

O que ficou claro para mim é que uma moça conhece alguém que, como ela mesmo diz, não era dotada de atributos físicos, mas que se mostrou uma pessoa gentil e carinhosa e que fez com que ela pensasse que, dessa vez, a experiência de ter um relacionamento com alguém nem tão bonito assim, poderia ser diferente das experiências anteriores que não deram certo. Para alguém do interior de um estado que não pertence ao grande conglomerado do sudeste "onde tudo acontece", a presença de um homem de uma grande metrópole, vivido, experiente, articulado, pode ser uma grande afrodisíaco. Então essa moça descobre que o moço é famoso (por ele mesmo), o que para ela é "mais do mesmo", porque se para ela ele não era famoso, o fato de tomar conhecimento de que é nada muda, porque para ela ele continua "anônimo". Não, não era óbvio. Por mais que vocês todos que o conhecem, possam pensar que era. Com o tempo ela começa a dimensionar a fama do rapaz, mas até aí já está apaixonada demais para pensar em outra coisa. O moço é sempre educado, solícito e presente. Declara-se separado mas, por precaução e sabendo que ele é famoso, a moça chega a pesquisar na internet e não encontra nada sobre sua vida pessoal. Paralelamente, o moço lhe apresenta amigos pessoais e de trabalho, que adicionam a moça em suas redes sem nunca mencionar nada a respeito da situação de casado do moço. Amigos agindo como cúmplices. A moça apaixonada está vivendo um conto de fadas em forma de mentira até que engravida. A moça e o moço ainda não sabem que serão pais, mas o moço começa a mudar de atitude sem que a moça saiba dos motivos. Enquanto isso, a família do moço está retornando de prolongadas férias no exterior. Em outro estado e em viagens constantes a trabalho, fica fácil para o moço dar as mais variadas desculpas para suas ausências e a moça acredita. Mas em determinado momento, a moça começa a desconfiar, porque a mentira tem limite e ninguém consegue ser enganado por muito tempo. Até que um amigo da moça comenta sobre a possibilidade do moço ser casado, o que ela descarta imediatamente mas, por causa das mudanças de comportamento do moço, começa a acreditar nessa possibilidade. A moça tem conhecimento da gravidez e informa ao moço que, até então, ainda não menciona sobre seu casamento, mas afirma categoricamente que um filho não é algo que ele deseja naquele momento. Após semanas de insistência da moça em levar adiante a gravidez, o moço finalmente confessa que é casado. E mais, ameaça a moça caso ela deseje continuar com essa gravidez, usando como argumentos sua fama, seu poder e seus relacionamentos. 

Parece história de filme? Sim. Acontece o tempo todo. Muitas dessas histórias nem chegam ao nosso conhecimento.

Esta semana, já sabendo dessa história, ainda mencionei que não existe ser mais burro e cego do que mulher apaixonada. E falo isso por experiências próprias passadas. Eu sempre dizia que "homem casado para mim é mulher", até o dia em que eu mesma me apaixonei por um homem e só vim saber depois que ele era casado. E nessas eu já havia tido, inconsequentemente, várias relações com ele sem preservativos ou sem outras formas de precaução. Eu poderia ter engravidado. E é fácil criticar para quem está do lado de fora achando tudo isso muito fantástico e impossível de acontecer. Mas eu, que me considerava esperta o suficiente, madura, experiente e era independente, cai nessa armadilha um dia. E foi difícil sair dela, pois quando se está apaixonada, você fica cega e tem esperanças de que as coisas possam ser diferentes. Com o tempo a paixão acaba, você retoma a visão e passar a ver a situação de forma coerente e racional, então toma uma atitude. E para quem acha um absurdo a pessoa famosa não ser reconhecida, eu tenho outra história que acontece comigo, de passar horas bebendo num bar com um cara que, na verdade, era vocalista de uma banda conhecida da qual eu era fã. Pois é. E só "descobri" porque ele me disse quando perguntei de onde ele conhecia um amigo em comum que havia nos apresentado. Me lembro de, quando ele me disse, ter olhado BEM pro rosto dele e ter pensado comigo mesmo "é mesmo... é ele", porque naquele momento eu estava mais interessada em conhecer melhor quem era o cara com quem eu conversava e nem me preocupei com isso porque não era groupie, não estava "caçando um famoso". Acontece. O problema é que os conceitos de maria-chuteira e maria-pagerank estão tão arraigados que, inevitavelmente, as pessoas sempre irão julgar as mulheres como interesseiras. Lembrem-se de que tenho uma prima casada com um jogador famoso e ela também passou por este julgamento.

Muitos julgarão a atitude das pessoas que resolvem trazer isso a público. Mas lembrem-se de que só foram atrás do goleiro Bruno porque Eliza Samudio "botou a boca no trombone". Eu entendo essas mulheres. Diariamente dezenas delas são mortas mesmo colecionando pilhas de BOs contra parceiros e ex-parceiros. Eu não acho que exposição resolva o problema. A melhor saída é sempre procurar a polícia e um advogado. Mas quando sua vida está em risco e sabe que quanto maior o número de pessoas souberem isso talvez salve sua vida, você não faria o mesmo? Eu faria. Certamente, depois de fazer um BO e procurar um advogado, eu iria espalhar toda a história no ventilador, assim o ameaçador iria pensar duas vezes em fazer qualquer coisa contra minha vida.

Eu não sou nenhuma louca desavisada... estou sabendo de muita coisa há dias, juntando peças, pesquisando e procurando entender o que aconteceu antes de emitir minha opinião. Compreendo quem discorde de mim que tem conhecimento de apenas parte dos fatos. 

É esperado que o ser humano julgue os acontecimentos sem mesmo ter conhecimento dos fatos baseado em sua percepção da vida. Mas antes de julgarem, procurem ao menos tomar ciência de todos os fatos para não caírem na armadilha de julgarem erroneamente, como já vimos isso acontecer milhares de vezes nas redes sociais.





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