Eles não nos escutam quando nos fingimos de mortos



Há mais de três anos atrás passei a manhã ouvindo "Pretend We're Dead" com L7 por diversas vezes (sou completamente enlouquecida pelas músicas dos anos 80's e 90's). No meu tempo costumávamos dizer "até o disco furar"! Saudade, vinil, saudade...Essa faixa era figurinha carimbada nas minha época como DJ na década de 90's e muito solicitada todas as noites. Dançá-la era "orgasmático" mas, no fundo, eu nunca tinha prestado muita atenção na sua letra e o refrão que diz: "when we pretend that we're dead, they can't hear a word we've said" que, mais ou menos, quer dizer que quando nós fingimos que estamos mortos as pessoas não podem escutar uma palavra que dizemos. BAITA SENTIDO! Mas quando paramos para pensar no óbvio?









Lugar comum? Clichêzão? Talvez. Parece uma tendência "zumbística" mas muitas pessoas não se deram conta de que estão mortas.

Esse refrão martelando na minha cabeça por horas trouxe-me um brainstorm raivoso a ponto de eu mal conseguir organizar minhas ideias, nada anormal para um comportamento tipicamente TDAH, nenhuma novidade até aí.

Mas fiquei pensando que talvez pior do que estar morta é o quanto a pessoa possa se fingir de morta o tempo todo, talvez por toda uma vida. E não apenas no sentido de se passar por dissimulada, mas estar literalmente morta para a vida. Chega a soar um tanto estranho dizer "morta para a vida", mas pare, preste atenção e pense: há pessoas que simplesmente "não vivem", apenas "sobrevivem".

E o que é efetivamente viver para você? Não sei. Cada um possui uma concepção própria e particular do que é "viver". Algumas pessoas levam a vida de forma mais racional, outras mais passional (e eu me incluo nessa última classificação, apesar de conseguir transitar pela primeira quando necessário). Algumas gostam de arriscar, outras se sentem melhor estabelecendo um porto seguro, não mexa em nada, deixe como está, é melhor, mais cômodo. Umas amam profundamente, outras desconhecem qualquer tipo de sentimento que não seja o ódio, apesar da conhecida teoria de que não se pode ter raiva daquilo do que nunca se amou um dia. Algumas passam a vida fazendo planos, outras simplesmente agem de forma desmedida. Enfim, há tantas e inúmeras formas de se viver que seria prepotência da minha parte achar que eu possa conhecer todas elas.

Mas o que eu realmente quero dizer é que ninguém te escuta quando você se finge de morto. E, acreditem, há muitos nesta situação, pessoas completamente alienadas e alheias ao que acontece ao seu redor. Pessoas que, talvez, nem se importe consigo mesmo, o que dirá com os outros? E é cada vez maior o número de pessoas que se encontram nesta situação, completamente desacreditadas de tudo e de todos. Ou acomodadas? O mundo está desabafando lá fora e a pessoa continua com "cara de paisagem" olhando para o horizonte dentro da sua bolha de plástico particular muito bem blindada e ignorando os fatos estourando ao seu lado, às vezes dentro da sua própria casa.

Em 2010 eu decidi assumir minha condição de "troll". Isso começou a aflorar um pouco lá atrás com um amigo e por causa de um dos meus 352.953.145 projetos pessoais, este com outro amigo, este processo de reconhecimento foi "concretizado". "Anna, não estou entendendo nada... o que tem uma coisa a ver com outra". Calma, eu chego lá. Simples, eu explico: apesar da trollagem ser vista de forma extremamente negativa e preconceituosa, haja visto que este conceito foi criado e difundido no Wikipedia justamente pelas pessoas e órgãos que se sentiam prejudicados com a trollagem (se for acessar o link da Wikipedia, leia a aba "Discussão"), acredito que nós, "trolls", a vimos com um instrumento poderoso (mas que incomoda, fato) de cutucar as pessoas, chamá-las para a discussão e, porque não, dar voz ao que pensamos ou que outras pensam mas não têm coragem de dizer. Não nos fingimos de mortos, damos vozes às nossa opiniões.

Opinar, se expor tem um preço, às vezes alto demais. E dá-lhe clichês. Mas é verdade. Nem todos estão preparados para ouvir nossas opiniões principalmente quando elas são completamente contrárias. A internet nos trouxe muitas coisas positivas, mas dentre as negativas trouxe o "Especialista Google". Este tipo de "profissional" (ou perfil) costuma fazer uma rápida pesquisa no Google, acessar o Wikipedia, ler um ou dois parágrafos, às vezes uma pequena definição, e se achar profundamente entendido sobre o assunto. Então, se por um lado a pessoa acha que conhece o profundamente o assunto e tem sua opinião formada apenas por definições de internet, ela sequer ouve o que você tem a dizer, logo, isso acaba inibindo algumas pessoas, fazendo com que elas tenham medo de se expor.

Então eu toco na ferida: muitas pessoas se fingem de mortas por medo de se expor, ou porque é muito mais cômodo permanecer na posição de mero espectador da vida. Vida? Que vida? Eu, particularmente, não considero isso uma maneira de se viver. É impossível o ser humano viver sem interação com o mundo e esta interação se resume a se comunicar, se expor, dizer o que pensa e o que sente. Então fica uma reflexão e uma pergunta: e então, você vai dar vazão às suas idéias e opiniões?

Você está morto ou vivo?

Para quem se interessou pela letra da música, aqui vai:

What's up with what's going down
In every city, in every town
Cramping styles is the plan
They've got in the palm of their big hands

When we pretend that we're dead...

C'mon, c'mon, c'mon, c'mon...

Turn the tables with our unity
They're neither moral nor majority
Wake up and smell the coffee
Or just say no to individuality







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